
Exasperado. Tão cansado de andar em círculos. De não sair do mesmo local. Ferido. Sangrando... Caído ao chão. Parece até um animal morto. Em decomposição. Não faz mais parte deste mundo. Não sente mais seu coração pulsar no meio de seu peito. Enojado de tanta frustração. Pouca saída encontra aberta em seu longo caminho. Distraído. Distinto. Inimigo eminente daquele ser que sente-se tão carente logo ali ao seu lado, jogado numa rua qualquer, talvez nem nome tenha... Pode até ter mais ninguém sabe qual é. Exacerbado... Constrangido. Opaco. Não guarda consigo sentimentos. Sente-se uma máquina. Um robô. Manipulável. Minuciosamente esconde-se em seu abrigo. Que parece mais uma prisão. Cheio de indecisões, confusões corriqueiras. Não vive, se esquece de respirar às vezes. E daí que mal isso faz? O que tudo isso lhe trás de bom? Lhe faz mal... Vicio?
Viciado em não viver, se sentir tão preso em si mesmo que se esquece que tudo isso é tão rápido que às vezes mal percebemos... E quando percebe já passou. Foi-se. É engraçado, mas não se sente com vontade alguma de rir. Vontade nenhuma de sorrir, mal esboça uma feição feliz... E daí ele me diz que não liga...
Vicio? Viciado em não viver? É tão viciado que mal aguenta dizer... Eu te amo!
Viciado em ficar sozinho... Foi esquecido e deixado de lado. Triste fim de um ser tão semi-opaco. Agoniado em não se socializar. Ficar de lado e sempre escutar coisas desnecessárias. Viciado em não receber afetos, carinhos... O que ele quer? Não sente, não quer sentir... E às vezes me fala que assim ainda se sente feliz. Como assim? Nenhuma pessoa é uma rocha... Nenhum ser mundano é uma pedra. E ele ainda me diz que se sente bem... Que vive a vida como ninguém. Que se for por ele viverá sozinho pra sempre e não está nem ai... Diz-me o que isso lhe trás de bom? E eu digo a mim mesmo... Não quero ser que nem ele. Sou tão alucinado em viver. Viver intensamente. Como é bom. Se sentir vivo. Feliz. Afetos e carinhos sempre que quiser. Ser Feliz. Diz-me... O que é melhor do que viver?

Nenhum comentário:
Postar um comentário